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icelandic sagas: proposals for change

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Um workshop desenvolvido entre os dias 12 e 19 de outubro do ano passado pela cantora Bjork, o site Nattura.info, a Universidade de Reykjavik e The Centre of Innovation, levantou as oito principais propostas para a mudança do país em torno de um desenvolvimento sustentável. Nos workshops, centenas de experts, entre eles acadêmicos, investidores e designers industriais, representantes das agências regionais de negócios, organizaçnoes profissionais, sociedades do conhecimento, trabalhando para levantar idéias e outras atividades inovadoras, relacionadas ao crescimento sustentável e à diversidade.

Os participantes foram distribuidos em oito mesas: da saúde, da tecnologia, da educação, do turismo, do design, da comida, da biotecnologia e da energia. E novas mesas relacionadas, por exemplo à cultura, a arte, aos negócios e aos assuntos políticos deverão ser formadas. 

A primeira conclusão deste trabalho foi compreender quantas pessoas estão prontas para colocar todos os seus esforços e trocar conhecimento e visão, contribuindo para a diversidade e a evolução sustentável da Islândia. A idéia, então, é fortalecer a necessidade da troca de experiências, criando e abrindo databases de conhecimento e idéias, e tornando-os mais acessíveis. Boas idéias não vivem por si só, elas precisam alguém que as escute, as receba e as administre.

A segunda conclusão foi a importância de olhar o país como um todo, levando em consideração a auto-suficiência, e  sua capacidade de ser sustentável economica, social e ambientalmente. O ponto aqui é estruturar pequenos clusters, onde os grupos e idéias tem poder para se desenvolverem. Ao mesmo tempo, é necessário potencializar a conexão entre a infra-estrutura doméstica e mercados externos, àreas do conhecimento e mercados.

A terceira é avaliar com responsabilidade os efeitos de indústrias pesadas no futuro cultural e ambiental da Islândia. Para que não sejam feitos erros neste sentido.

A história atual da Islândia pode ser vista, então, como um balão de ensaio para as empresas e para a busca de soluções em momentos de crise: observar criativamente e sustentavelmente seus negócios, para além das questões financeiras, é uma ótima saída. E se esta saída pode recuperar países, por que não recuperar empresas? Por que não buscar olhar a empresa como um todo, e todos os seus agentes, e entender suas capacidades, melhorando a colaboração e a cooperação entre eles, potencializando esforços e eliminando processos que afastam áreas e pessoas? Por que não olhar para os reais diferenciais da empresa, os diferenciais intrinsecos a seus produtos e suas histórias, e desenvolvê-los, e mostra-los genuinamente para o mundo? 

Ainda vamos acompanhar como a Islândia consegue, com estas propostas de mudança, ultrapassar a difícil fase da quebradeira financeira. Ainda tem muito chão pela frente, mas tenho certeza que veremos a originalidade daquela terra aflorar, e fortalecer a conexão entre seus indivíduos e dos mesmos com o mundo, como um grande ensinamento para todos nós.

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icelandic sagas: design & working groups

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Na linha das possíveis soluções para um país que está se vendo obrigado a rever todos os seus meios e se repensar quase que como um “laboratório”, testando novas e antigas possibilidades, o design é uma delas.

A idéia é buscar por todo o país o que tem sido feito, quais os talentos existentes, e repensar maneiras de tornar tudo isso vendável, fazendo um marketing mais profissional.

Além disso, contando com um “working group”, seriam criadas redes de colaboração, tanto dentro do país como no exterior, potencializando as produções. Com isso seria possível a criação de um modelo, uma filosofia de design única do país, colocando-o de volta no mapa com a dignidade que merece.

O mais interessante vai ser o mundo começar a perceber o quanto o design pode estar atrelado à sustentabilidade, e vice-versa.

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icelandic sagas: a solução está nas pequenas coisas

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Em um país pequeno, são as pequenas coisas que podem ajudar a mudar o seu rumo. E na liderança desta mudança, a cantora Bjork tem se transformado na portavoz da inovação e no pensamento criativo, a fim de encontrar caminhos para a diversidade econômica da Islândia.

Com suas próprias palavras: “A Islândia pode ser mais autosuficiente e mais criativa, com um olhar mais século XXI do que século XIX” “Podemos usar esta crise econômica para nos tornarmos sustentáveis, e ensinar o mundo tudo o que sabemos a respeito da energia geotermal (uma das grandes riquezas do país)”

“Talvez leve tempo para que este novo momento comece a dar lucros. Mas devemos criar algo sólido e estável, e algo que se sustenea de forma independente de Wall Street e da volatilidade do preço do alumínio. E isso, então, ajudará a Islândia a fazer o seu melhor – sendo uma maravilhosa e imprevisível força da natureza”

Para levar suas idéias adiante, Bjork tomou dois passos importantes:

1. reuniu as mais proeminentes mentes de seu país em torno de mesas de discussão e workshops a fim de levantar idéias e soluções nas mais diversas áreas (das ciências e das artes), propondo por um lado a melhor exploração de seus recursos naturais, transformando-se em um país verde, e, por outro, a união de artistas, empresários e artesãos para desenvolver de forma profissional aquilo que eles tem de melhor e mais típico.  

2. lançou um fundo de investimento chamado BJÖRK, comandando pelo Audur Capital, com o objetivo de buscar investidores que buscam novas oportunidades e desenvolvimentos de novos negócios em pequenas companhias, a fim de dar um impulso na recuperação econômica do país. O fundo, que tem data para se encerrar (já agora em março) vai investir em em negócios sustentáveis, que criam valor através dos recursos únicos da ilha, sua natureza espetacular, uma cultura vibrante e recursos energéticos verdes.

Na mira dos novos projetos está, por exemplo, a tradição islandesa de casacos de lã, com os típicos desenhos e a incrível lã de suas ovelhas (um dos únicos animais que se deu bem em um país com uma geografia e um clima tão únicos): o Lopi Sweater. Com a ajuda dos workshops e de designers locais, além dos centros de difusão de cultura, serão formados grupos de artesãos para levar adiante, e para o mundo, a tradição da ilha. 

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icelandic sagas: up & down

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Qualquer um sabe que tudo o que sobe, desce. Os praticantes de yoga dizem que o ponto de paz, onde devemos nos concentrar e permanecer, é o do equilíbrio – e não buscar alegria exacerbada, porque este impulso age como uma mola: a força que se faz para atingir o cume, te joga de volta para o fundo, a depressão.

A Islândia subiu, cresceu, estimulada por uma economia de serviços, de geração de oportunidades. Onde todos passaram a ter acesso ao crédito e poder empreender. Seus bancos eram considerados “sistêmicos”. Jamais quebrariam.

Com isso, viveram em função destes bancos, abandonando o peixe, por exemplo, seu negócio principal desde o início da história. E, curiosamente, o papel moeda não circulava – era o crédito que fazia o país girar. Dinheiro virtual. Dívidas sendo estimuladas e acumuladas.

Estavam no topo, vivendo como acreditavam que seria a vida, algo que se mostrou, já há alguns meses, ser na verdade um oásis, uma ilusão diante de um mundo em crise financeira. E como todo conto de fadas, chegou ao fim.

A Islândia, após viver o auge, tem medo de retornar às suas raízes e voltar a viver de pesca, por exemplo. Eles eram “cool” há pouco tempo, e acham que explorar o mar será um passo largo para trás. Mas talvez esta seja uma das poucas soluções imediatas.

A outra, é o que eles mesmos dizem: uns ajudarem aos outros. Este espírito de solidariedade tem de existir para que um país inteiro se reaqueça.
Isso nos faz pensar no Brasil, em quantas comunidades e cooperativas existem em pequenas cidades, no Nordeste, e em quanta gente com altíssimo poder aquisitivo vive ao redor dar fazer a menor atenção.

E a profilaxia? Dá pra evitar a quebra?
Não tenho conhecimento financeiro e econômico suficientes para aconselhar aqui.

Mas um amigo me disse outro dia “o segredo para se viver bem é ter um baixo custo fixo de vida“. Ou seja, não pagar um aluguel, um financiamento nem um condomínio caríssimos; não se endividar para comprar um belo carro; não criar hábitos que o façam despender um percentual considerável de sua renda mensal. Com isso, é possível fazer viagens lindas e jantar em bons restaurantes, tomando bons vinhos. Com isso se faz girar capital em torno de diversos negócios.

Talvez repensar estilo de vida faça parte de um conjunto de ações para minimizar os efeitos de uma crise que só está começando.

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icelandic sagas: ilha à parte

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“Ilhas são lugares à parte de onde a Europa está ausente” W.H.Auden

As sagas islandesas são seu maior patrimônio e, juntamente com a pesca, delineiam a cara de um país do tamanho de uma cidade média brasileira. Com pouco menos de 320 mil habitantes, a Islândia é hoje um balão de ensaio para o mundo. A sociedade democrátrica, que outrora pobre e dependente em 50% da exportação de peixe tornou-se um dos melhores lugares para viver do mundo, com altíssimo IDH e oportunidade para todos. Mas não existia mágica no que vinha a se tornar mais uma de suas sagas: o crescimento estrondoso do país se deveu quase que exclusivamente à exploração do mercado financeiro, de uma hora para outra, professoras e artistas migraram para um trabalho executivo nos bancos do país, o principal deles, o Landsbanki, com seus principais e mais volumosos aportes no agora finado Lehman Brothers.

A nossa proposta desta semana é de observar a Islândia, não como uma tendência em si, mas como uma revolução a ser observada. Como um país vai à falência, e como ele se recupera, a partir da originalidade, força e união de seu povo. Os exemplos afloram, e não são poucos. E podem servir como um bom espelho para as soluções de uma crise mundial que se aproxima cada vez mais dos cantos mais isolados do mundo.

Uma piada atualmente em circulação diz “What is the difference between Ireland and Iceland? The answer is: one letter, and 6 months” – apontando para o caminho que muitos outros países devem seguir.

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icelandic sagas

E como toda saga, esta tem mais de um capítulo e, assim, mais de um board

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