Category Archives: no consumo

discutindo o valor da arte

“Tente revender para um art dealer aquilo que você acabou de comprar dele, e rapidamente você entenderá o quão profundo é seu amor pela arte.”

Nesta frase do outdoor estratégicamente colocado em uma das passarelas que atravessam o bairro das galerias de NY, Chelsea, o artista multimídia Patrick Mimran discute o real valor da arte – não do ponto de vista cultural, obviamente, mas do ponto de vista de negócio. Se a frase é irônica, ela certamente ajuda a dar um empurrãozinho em tudo aquilo que possamos viar pensar sobre o valor financeiro da arte moderna/contemporânea: quem define o valor? Em que bases? Quem compra? E por que compra?

Se para nós isso pode parecer tudo muito distante, é bom lembrar que o mercado de arte está cada vez mais perto dos pobres mortais através da arte acessível ou affordable art (vide feiras especializadas e propostas originais como a galeria online 20X200). Pequenos colecionadores trocam informações sobre suas aquisições (MyArtSpace e IndependentCollectors entre outros) enquanto grandes artistas aproveitam a onda para vender e fazer mais tostões (olha o Damien Hirst mais uma vez gente).

Enquanto isso, vindo bem a calhar a esta discussão, a Estrela acaba de lançar um jogo chamado Mercado de Arte. No meio da brincadeira, que lembra muito um Banco Imobiliário tendo obras de arte no lugar de imóveis e terrenos, é impossível não pensar no quanto o quesito sorte é fundamental para que uma obra de arte seja bem avaliada (ou, melhor, bem comprada) e o quanto é importante cair nas mãos certas para ser bem sucedido. (As informações sobre o jogo ainda não estão disponíveis no site da marca. Tudo que li foi escrito em uma reportagem-desafio feito na Folha de São Paulo do domingo passado (07/02) e no blog Tons de Pêssego, aparentemente de uma das desenvolvedoras do jogo)

E a senhora cubana (radicada em Nova York) de 94 anos de idade que caiu nas graças do mercado de arte apenas há 5 anos atrás quando vendeu seu primeiro quadro (depois de uma prolífica produçõa de mais de 60 anos)? E no meio do artigo feito sobre ela no New York Times, chama atenção a constatação “Over the decades, Ms. Herrera had a solo show here and there, including a couple at museums (the Alternative Museum in 1984, El Museo del Barrio in 1998). But she never sold anything, and never needed, or aggressively sought, the affirmation of the market.”

Afinal, a arte precisa do mercado ou o mercado precisa da arte?

(a foto extraída do NYTimes apresenta Carmen Herrera, 94 anos, em seu loft em Manhattan)

Advertisements

1 Comment

Filed under nas artes, no consumo

go local or import?

Um diagrama muito interessante publicado no PSFK ano passado, mostra as vantagens de se comprar localmente, em vez de ir atrás do que vem de fora.

Basicamente, fica claro que incentivar o local business é muito mais importante para o crescimento de uma comunidade, que o inverso. Eles inclusive doam mais dinheiro à comunidade e instituições que os outros.

Além disso, normalmente sua matéria-prima também é local, o que implica em menor desperdício em transporte e com isso, menor impacto na natureza, no trânsito, etc.

Outro fator de interesse imediato ao consumidor é que uma quantidade maior de pequenos negócios locais gera competição natural, e por isso, mais inovação e menores preços!

E que fique claro: a lojinha daquela marca importada que abriu uma portinha do lado da sua casa não é local business. O que vale é sua origem (como quando compramos orgânicos).

Fica a dica!

Leave a comment

Filed under no comportamento, no consumo

gentileza gera gentileza

Há alguns anos atrás minha irmã foi para um congresso em Praga e voltou expert em caminhar pelas ruas entruncadas da cidade e em reconhecer um bom bar. No quesito bar, ela voltou com uma notícia que muito me surpreendeu e me instigou: eis que trata-se de um costume local a cobrança de dois absintos a cada um consumido, para que este segundo possa ser consumido por alguém que chegue ao bar sem dinheiro.

Estranho mas lindo, não é? Imagine-se caminhando pelas ruas geladas de Praga pensando em ingerir algo que lhe aqueça quando você se dá conta que está sem um tostão furado…

Bom, passado este tempo, e ainda admirada com a gentileza etílica dos tchecos, me deparo com dois empreendimentos com espíritos semelhantes baseados na mais pura gentileza urbana.

O Ogori Café, descoberto por um cara de Portland em visita ao Japão, tem um sistema onde aquilo que você pede não é aquilo que você recebe. Ou seja, você pede um suco e pode receber um pacote de salgadinhos pedido pela pessoa que comprou antes de você, que por sua vez deve ter recebido o café da pessoa que veio antes dela.

 

Se no Ogori Café você compartilha experiências, em São Paulo você compartilha gentileza em forma de cafezinho.

A doce brincadeira acontece no Ekoa Café onde qualquer cliente pode deixar um café pago com um recado, poema, ideia, desenho. Na lousa do local, as bebidas disponíveis são indicadas e qualquer pessoa pode solicitar uma delas para beber na hora.

Interessante a forma como os três casos mostram como é possível agregar um valor social e de relação com o próximo em uma pequena compra como uma bebida, um salgadinho ou um café. E isso gera conectividade, interesse e curiosidade!

Leave a comment

Filed under nas bebidas, no consumo

mass customization: coca-cola freestyle

board6

Talvez o que você nunca imaginou que aconteceria acabou de acontecer. A Coca-Cola Company lançou em modelo experimental em algumas cidades dos Estados Unidos o dispenser de refrigerante, chás e afins chamado Coca-Cola FreeStyle.

cocacola-freestyle-logo

Nele é possível escolher até 100 tipos de combinações diferentes, entre bases (ou seja, marcas de bebidas), calorias e nível de cafeína, tudo através de uma interface touch screen.

Coca_Cola_Freestyle_Up_Close

As combinações, no entanto, serão pré setadas, o que faz com que seja possível tomar uma Coca-Cola com Raspberry e uma Fanta com Pêra, mas não um chá com Sprite.

3-cocacola_dispenser

Leave a comment

Filed under 1, na tecnologia, nas bebidas, no consumo

outdoor stages: art reality show

board-art

Seguindo a linha de reality shows que fizeram chefs, dançarinos, cantores, entre outros tipos de artistas e gente, famosos, Sarah Jessica Parker está produzindo para a rede de TV Bravo um reality show focado na descoberta de novos artistas.

Segundo press release apresentado pela Bravo, “em cada episódio da série, os concorretes vão criar peças únicas reforçando o papel da arte na vida cotidiana, enquanto competem e criam em disciplinas que incluem escultura, pintura, fotografia e design industrial (para citar alguns). Os trabalhos realizados serão apreciados por um painel de figurões das artes, incluindo artistas, galeristas, colecionadores e críticos”. Para completar, os 13 finalistas escolhidos dentre aqueles participaram das audições em Los Angeles, Miami, Chicago e Nova York,  competirão por uma exposição em uma galeria, um premio em dinheiro e um tour nacional patrocinado pelo show.

Os jurados ainda não foram revelados, mas entre eles estão curadores, artistas, professores e colecionadores.

Bravo600

A ideia do programa, além de trazer à tona talentos da arte, é efetivamente aproximar o grande público das artes plásticas, apresentando de forma mais aberta esta que parece ser uma das artes mais herméticas. Parece um pouco contraditório e já tem arrancado muitas críticas, já que o novo reality show pretende escancarar e “popularizar” a parte culta das artes. Aqui, efetivamente, artistas de todos os gêneros terão seus 15 minutos de fama entre aqueles que ligarem a TV para assisti-los – e, obviamente, entre os curiosos que buscarem nos youtube rastros das inscrições e participações.

Em tempos de artes nas ruas, e expostas em espaços públicos, talvez caia bem um reality show que mostre o que está por traz do palco das artes.

Curiosidade: em 2006 o já extinto canal de TV Gallery HD já apostou no formato, com seu Artstar. Veja matéria completa do NYTimes escrita à época.

Leave a comment

Filed under 1, nas artes, no consumo

haven’t you been invited yet?

board_haventyou

Exclusividade e preços baixos. Quem nunca se atraiu por estas duas palavras, ainda mais quando elas aparecem juntas? Graças à recessão, os negócios de venda exclusiva e online de produtos, especialmente roupas, vem crescendo em todo o mundo e ganhando relevancia também no Brasil.

Os clubes privados de compras funcionam através de cadastramento prévio e, muitas vezes, possuem listas de espera ou dependem de indicação para que o cadastro seja aceito. Os participantes, por sua vez, têem à sua disposição promoções diárias de produtos com até 80% de desconto.

O BuyVip, um clube europeu de compras com mais de 3,5 milhões de membros, recebeu um aporte de capital de 14,9 milhões de dólares e conta com parceiros como Calvin Klein, Zac Posen e Givenchy, vendendo roupas da última estação, além de bolsas e jóias.

Segundo ressaltam os co-fundadores do One Kings Lane, que vende produtos para casa de marcas de renome, os clubes de compra “invitation-only” são incrivelmente atraentes para designers de ponta, já que a exclusividade dos mesmos não afeta a imagem de luxo das marcas.

Em geral, os clubes também geram um senso de urgência, uma vez que limitam a possibilidade de compra a apenas alguns dias ou horas. Aqui no Brasil, o site Coquelux dá em geral 3 dias para as compras, enquanto alguns internacionais causam ainda mais frisson, limitando as ofertas a 36 horas!

Picture 60

Como os modelos de compra privados dependem de acesso constante e de um estoque irregular de mercadorias, a saída para o crescimento é, de acordo com reportagem do The Wall Street Journal, a entrada em novas categorias de vendas.

O site HauteLook , por exemplo, expandiu seu portifólio para produtos para casa e produtos de beleza, enquanto o RueLaLa vende pacotes de spa e sessões de Yoga, além de roupas e acessórios. O outro site americano Gilt planeja lançar ainda em julho a venda de pacotes de viagem.

Se você ainda não foi convidado para um dos Clubes, veja a lista dos que operam no Brasil para se candidatar

Coquelux

Privália

BrandsClub

Leave a comment

Filed under na internet, na moda, no consumo

haven’t you been invited yet?

board_haventyou

Leave a comment

Filed under na internet, na moda, no consumo